Pelo menos quatro cidadãos moçambicanos morreram e vários ficaram feridos na sequência de violentos confrontos com sul-africanos na zona de Mossel Bay, na província do Cabo Ocidental. Os incidentes reacendem o alerta sobre a persistente tensão xenófoba na África do Sul.
A confirmação das vítimas mortais foi avançada por Manuel Chicanhane, líder da comunidade moçambicana no Cabo Ocidental. Em declarações prestadas à Rádio Moçambique, o responsável descreveu um cenário de extrema brutalidade, relatando que os confrontos envolveram cidadãos locais e imigrantes num bairro de Mossel Bay.
Armas brancas e incêndios às residèncias
Segundo Chicanhane, a onda de violência teve início na noite da última quinta-feira. Os agressores atacaram as vítimas utilizando diversos instrumentos contundentes e armas brancas. “Usaram instrumentos, catanas, os outros foram esfaqueados e os outros também foram batidos pelas pedras”, detalhou o líder comunitário.
A tensão escalou quando os atacantes começaram a incendiar as habitações de moçambicanos e de outros imigrantes. Perante a destruição das suas casas, os cidadãos estrangeiros retaliaram em legítima defesa. Foi no decurso desta reação aos ataques às residências que se registaram as vítimas mortais.
Além dos quatro mortos, a violência deixou um rasto de feridos. Vários moçambicanos encontram-se a receber tratamento médico em unidades hospitalares locais, embora Manuel Chicanhane ressalve que o número exato de feridos internados ainda não foi totalmente apurado.
O contexto històrico da xinofobia
Além dos quatro mortos, a violência deixou um rasto de feridos. Vários moçambicanos encontram-se a receber tratamento médico em unidades hospitalares locais, embora Manuel Chicanhane ressalve que o número exato de feridos internados ainda não foi totalmente apurado.
Contraste com as declaraçoes presidenciais
As mortes agora reportadas em Mossel Bay surgem poucas semanas após o Presidente da República de Moçambique, Daniel Chapo, ter abordado o tema durante uma visita oficial à África do Sul. No dia 5 de maio, o Chefe de Estado garantiu que, até àquela data, não existiam registos de moçambicanos mortos ou feridos em ataques xenófobos recentes, aproveitando a ocasião para repudiar a partilha de informações falsas nas redes sociais.
As estatísticas oficiais indicam que residem atualmente cerca de 300 mil moçambicanos em território sul-africano. Contudo, devido ao clima de insegurança e aos sucessivos episódios de violência, a Presidência moçambicana já havia admitido, num comunicado anterior, que “milhares” de cidadãos optaram por abandonar a África do Sul e regressar ao país de origem.

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