Aos 52 anos, com um percurso que já cruzou a engenharia florestal, o setor bancário, o comentário político e o ministério evangélico (desde 2015), Venâncio Mondlane consolidou-se como a principal figura da oposição em Moçambique. Numa altura em que o país soma 51 anos de independência sob a governação da Frelimo, o líder e fundador do partido político Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (ANAMOLA) afirma que a sua organização é a maior ameaça à atual hegemonia política.
O rasto de violência e as Eleições de 2024
Mondlane continua a reivindicar a vitória nas eleições presidenciais de 9 de outubro de 2024, assegurando ter recolhido 57% das intenções de voto. O político sublinha que o recurso submetido ao Conselho Constitucional incluía atas e editais que comprovavam o triunfo, mas acusa as autoridades de ignorarem as provas e atribuírem resultados aleatórios para garantir a continuidade da Frelimo no poder.
O período pós-eleitoral ficou marcado por intensos protestos, exacerbados pelos assassinatos de Paulo Guambe e Elvino Dias (seus apoiantes), resultando num saldo de, pelo menos, 411 mortos. O líder do partido político ANAMOLA responsabiliza o Governo e as suas forças de defesa e segurança por planificarem e executarem este cenário de caos deliberado.
Mais recentemente, Mondlane tem vindo a denunciar uma alegada tática estatal para aniquilar fisicamente a sua base de apoio. Desde fevereiro de 2025, o partido documentou 436 agressões severas contra os seus membros, culminando em 56 homicídios, incluindo a morte de Anselmo Vicente, que exercia o cargo de coordenador provincial no Chimoio. Apesar de confessar que teme pela própria vida perante estas ameaças, Mondlane garante que a sua missão de transformação do país é muito maior do que o seu medo.

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